De todas as criaturas tu és a mais digna, ó Maria!

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Eis algumas passagens dos Padres, que escolhi para provar o que acabo de dizer:

“Maria tem dois filhos, um Homem-Deus e o outro homem puro. Do primeiro é Mãe corporalmente e do segundo espiritualmente” (São Boaventura e Orígenes).

“Esta é a vontade de Deus, que quis recebêssemos tudo por Maria. Se, pois, temos alguma esperança, alguma graça, algum dom salutar, saibamos que nos vem d’Ela” (São Bernardo).

“Todos os dons, virtudes e graças do Espírito Santo são distribuídos pelas mãos de Maria, a quem Ela quer, quando, como e na medida que Ela quer” (São Bernardino).

“Porque eras indigno de receber as graças divinas, elas foram dadas a Maria, a fim de que recebas por Ela tudo o que venhas a possuir” (São Bernardo).

Deus – como diz São Bernardo – vendo que somos indignos de receber as graças diretamente das suas mãos, dá-as a Maria, a fim de que por Ela recebamos tudo o que Ele nos quis dar. E Deus encontra também a sua glória em receber, pelas mãos de Maria, o reconhecimento, o respeito e o amor que lhe devemos pelos Seus benefícios. É, pois, muito justo, que imitemos o procedimento de Deus, “para que a graça regresse ao seu Autor pelo mesmo canal por onde veio”, segundo o mesmo São Bernardo.

É precisamente o que fazemos por esta Devoção: oferecemos e consagramos tudo o que somos e tudo o que possuímos à Santíssima Virgem, para que Nosso Senhor receba por seu intermédio a glória e o reconhecimento que lhe devemos. Reconhecemo-nos indignos e incapazes de nos abeirarmos da sua Majestade infinita só por nós mesmos, e por isso servimo-nos da intercessão da Santíssima Virgem.

Além disso, trata-se aqui de um ato de profunda humildade, virtude que Deus ama acima de todas as outras. Uma alma que se eleva, rebaixa a Deus; uma alma que se humilha, eleva a Deus (Jo 3, 30). Deus resiste aos soberbos e dá a sua graça aos humildes (Tg 4, 6). Se nos humilharmos, julgando-nos indignos de comparecer perante Deus e de nos aproximar D’Ele, Deus desce, abaixa-se para vir a nós, para se comprazer em nós e nos elevar, apesar da nossa miséria. Mas, pelo contrário, quando alguém se aproxima ousadamente de Deus, sem querer medianeiros, Deus esquiva-se, e não podemos chegar até Ele. Oh! Como Ele ama a humildade de coração! É a tal humildade que leva a prática desta Devoção, pois ensina a nunca nos aproximarmos de Nosso Senhor por nós mesmos, por mais doce e misericordioso que Ele seja, mas a servir-nos sempre da intercessão de Maria, para comparecer diante de Deus, seja para lhe falar, seja para simplesmente estreitar a proximidade, seja para lhe oferecer alguma coisa, seja para unir-nos e consagrar-nos a Ele.

A tristeza agrada o vazio da escuridão

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   Coisa certa é a presença de outrem em castigar o que sofre. Não é algo desconhecido a feroz vontade da humanidade de alcançar o “poduim”, são diversas as formas usadas pelos que deixam suas paixões lhe guiarem para subir sobre a humanidade: destroem a si próprios em busca de um sonho ilusório.

   Desde do nosso nascimento ansiamos pelos “olhos do mundo” queremos que todos nos sejam subservientes, usamos vários métodos desde do chorar ao fazer um rosto de raiva, no começo e isso é valido e conseguimos o que desejamos. Porém ao passar do tempo, e se não formos admoestados, veremos que estes antigos métodos não mais funcionarão e desejaremos usar alguns mais sofisticados, ponhar-nos-emos a pensar em coisas mais irresistíveis que as nossas principais vítimas – nossos pais – não conseguiram escarpa-se, sendo estas: fazer mal a nós mesmos. Por sabermos que eles nos amam mais do que a si mesmos iremos querer nos fazer mal, usaremos as piores drogas que nos faram definhar, veremos eles aos nossos pés fazendo de tudo em nosso agrado. Assim prosseguiremos em nossa loucura de querer ser o centro do poder, ser grandes monarcas que tem o mundo como um grande tabuleiro de um jogo velho.

   Passada a faze de nossa casa patriarcal, vemos um mundo totalmente insubmisso aos nossos desejos, que raiva isso nos impeli. Tentaremos fazer tudo aquilo que antes fizemos, nada funciona. Descobrimos que eles não nos amam mais do que si próprios, vemos que eles têm amor para consigo, e com isso criamos mais uma saída, infligiremos estes de dor e assim estaremos acima deles, nos alegramos como sua tristeza.

    Este exemplo que dou-vos acima é da humanidade que não se deixa escravizar por Deus, vive de forma a buscar a realeza. É! Neste mundo somente há duas vertentes: os reis e os escravos. Os que não desejam ser escravos buscaram o trono. São esses – os que não querem ser escravos – que importunam os que sofrem, pois se sentem vazios por não alcançarem o que desejam – ser reis -, uma vez que somente Deus e não-ser podem possuir a realeza, cada um em seu polo. O vazio dos que buscam a realeza lhe faz buscar um preenchimento retirando a alegria que é própria do outro o tornando vazio e querendo que o que antes lho preenchia venha a lhe preencher.

Orem por quem não ora!

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   Não desejai ver o que vós não compreendereis. Maldito sejas todos que veem e fazem que não veem. Eis o mal que desbarata a alma.

   Quando tudo era neblina meus olhos estavam imunes as culpas da alma, nada poderia mo imputar culpa, pois nada eu podia ver, visto que grande era a neblina. Porém, levianamente minha boca clamou pelo sol, este veio e dissipou de forma total as neblinas que me tornava cego à vista do horizonte. Copiosa foi minha culpa, pedi a luz, a luz me veio e eu rejeitei inundar-me pela luz.

   Hoje tudo vejo, eis a minha triste, mas ousei fingir que não vejo, não permito que as luzes que tudo torna claro entre em meu peito e façam da minha escuridão clareza. Hoje espero as orações dos santos que têm em si luz para que as luzes de suas orações quebrem as correntes de escuridão que afligem minha alma. Espero-vos por vós, por obséquio orem, pois eu espero por vossa luz do encanto.

   Por fim, peço-vos que vivam por quem não vive!

Quem purifica os olhas santifica a alma

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   Passados

   Não há aquele que diga que não olha para os seus passos passados, todos em algum momento de sua vida se debruçarão a pensar sobre aquilo que fizeram em tempos passados, como consequência, uma certa tristeza lhes fará desfalecer, pois, sempre nos veem em lembrança fatos vergonhosos para nós.

   Dificilmente detenhar-nos-emos em lembrar aquilo que de feliz se passou em nossa vida, estou aqui a falar dos momentos em que sozinhos nos relembramos do nosso passado, somente nos lembraremos das nossas grandes aventuras quando estamos a companhia de bons amigos que conosco viveram todos esses bons tempos. Sozinhos só nos vem aos olhos imagens do que de triste se realizou dantes.

   Mais que se prender a tentar descobrir por que isto acontece é tentar vê-lo como algo agradável, de maior valia é se deter em ver de outra forma esses acontecimentos. Ver esse nosso mau passado como algo distante que, em verdade, não mais faz parte de nossa estrutura psíquica, tomar como um exemplo de como não devemos agir nesses tempos vindouros.

   Como novas criaturas – é o homem, como uma planta seca que recebe a chuva, pode se renovar – que agora somos devemos utilizar tudo que está em nossa volta como material de crescimento, material que nos ligará como mais forças aos céus.

O erro do um.

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céuComo é glorioso ver que muitas das coisas surgem através da união de duas unidades. Dois seres únicos e independentes entre si se unem a fim de formar um terceiro, é assim que acontece na natureza.

A união de duas situações antagônicas é que faz surgir algo diferentes, nunca antes visto. O choque entre duas mãos é que faz nascer o barulho das palmas; o escutar e o ouvir é o que faz surgir o conhecimento; o silencio do vento é que faz surgir o barulho do mover das folhas; o sol que traz calor é o que evapora as águas que fará surgir o frio da chuva; o sorriso é o que desfaz a tristeza do rosto.

Proeminente sempre se faz o número dois, são duas também as situações que nos levou a condição de libertos. A primeira fora a concepção da Santíssima Virgem, que em seu ventre o verbo de Deus se faz carne participando conosco desta condição de necessitar de alimentes, ter frio, brincar, cantar, sonhar. Fez-se um de nós. Por revestir-se de nossa carne fez Deus também ser homens, e os homens possuírem a bondade de Deus, a possibilidade de amar, nós que antes somente éramos amados hoje possuímos a capacidade de amar. A segunda foi a sua morte na cruz, não quis somente ser humano de carne, mas quis conhecer a dor do pecado, não pecou, porém quis conhecer a dor do pecado. E morrendo na cruz pagou com o preço mais caro todos os nossos pecados.

O número dois, duas pessoas distintas, o Pai e o Filho, quiseram através destes dois atos trazer-nos a paz da unidade, ser santos. Pelo dois, Pai e Filho, surgi o Espirito, defensor nosso.

Enfim, através disto, vivemos a graça do dois. Sejam mais amadores de ter ao nosso lado outrem, não vivam o um, a solidão, mas estejam mergulhados no dois, na união. Estendendo a mão para o que está caído; sorrido para o triste;alimentando o faminto; trabalhando pelo bem, assim viveremos o dois e estaremos sempre com o amor do nosso lado.

Pelo simples ouvir…

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   ouvir

   Um passo fará surgir outro, outro passo fará surgir mais outro, suscetivelmente. Assim se fará a vida, tudo é consequência de algo anterior, como é sabido que se mal vivemos tudo que se procederá em nossa vida será escuridão e sujeira. Saibam disto.

  De tal forma é que Deus, ser de infinita bondade, quis nos entregar uma conselheira, mãe, mestra, que diante todos os séculos até a segunda vinda glorioso de Cristo nos instruirá a como bem viver. Se ouvimos, nossos passos sempre serão bons e não incidiremos em erro, para que mal pior não tome o nosso peito. Os que não ouvem, desde este simples fato já dão mal passo que lhes levam a erros piores.

   Admoesto-vos, cumpram firmemente os ensinamentos da Igreja, pois ela tem plena sabedoria para vos dizer: é isso, é aquilo. Não se encontra erro nas palavras desta grande Mãe, sim, a vejam como bondosa mãe que acima de tudo vela para que não déramos falsos passos que nos leve a um colapso existencial.

   Como a mãe Igreja, mãe pela nossa crença, há Maria, mãe pelo sangue redentor que nos salva e nos uni a Cristo. Nossa Santa Mãe Maria é por excelência condutora nossa à Igreja, isto, ela nos leva a Igreja para que lá sejamos instruídos sobres os desígnios de Deus e novas seres possamos ser, que sabem que o nosso lugar é estar a serviço do Pai. Quem não ouvem os belos ensinamento de Maria dificilmente saberá ouvir a Igreja, visto que não encontrará motivo para se render ao que Diz a Igreja.

Ouçam a Maria; Ouçam a Igreja; Vivam o Cristo.

Esta Devoção nos faz imitar o exemplo dado por Jesus Cristo e por Deus mesmo

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Artigo Segundo: Esta Devoção nos faz imitar o exemplo dado por Jesus Cristo e por Deus mesmo, e praticar a humildade

Segundo motivo, que nos mostra ser justo, em si mesmo, e vantajoso para o cristão o consagrar-se inteiramente a Maria Santíssima com esta prática, com o fim de ser consagrado mais perfeitamente a Jesus Cristo. Este bom Mestre não recusou encerrar-se no seio da Santíssima Virgem como um cativo e escravo de amor, nem ser-lhe submisso e obedecer-lhe durante trinta anos. E aqui, repito, que o espírito humano se perde, ao refletir seriamente sobre esta maneira de proceder da Sabedoria Encarnada. Embora o pudesse fazer, não quis dar-se diretamente aos homens, mas fê-lo pela Virgem Santíssima. Não quis vir ao mundo na idade de homem perfeito, independente de outrem, mas antes como uma pobre e pequenina criança, dependente dos cuidados e sustento de sua Mãe. Esta Sabedoria Infinita, que tinha um desejo imenso de glorificar a Deus, seu Pai, e de salvar os homens, não achou meio mais perfeito nem mais rápido para o fazer do que submeter-se à Santíssima Virgem. E era uma submissão em todas as coisas, não somente durante os oito, dez ou quinze primeiros anos da sua vida, como as outras crianças, mas durante trinta anos. E deu mais glória a seu Pai durante esse tempo de sujeição e dependência da Virgem Santíssima, do que lhe teria dado empregando esses trinta anos a fazer prodígios, a pregar por toda a Terra, a converter todos os homens, do contrário, Ele o teria feito. Oh! Como glorifica altamente a Deus quem se submete a Maria, seguindo o exemplo de Jesus! Tendo diante dos olhos um exemplo tão visível e conhecido de todos, seremos tão insensatos para julgar possível encontrar um meio mais perfeito e mais direto de glorificar a Deus, do que a sua submissão a Maria, a exemplo de seu Divino Filho?

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