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Mas a eficácia e o valor do Rosário aparecem ainda maiores se o
considerarmos como um dever imposto à confraria que dele tira o nome. Na
verdade, ninguém ignora o quanto é necessária para todos a oração, não
porque com ela se possam modificar os divinos decretos, mas porque, como
diz S. Gregório: “Os homens, com a oração, merecem receber aquilo que Deus
onipotente desde a eternidade decidiu dar-lhes” (Diálogorum Libros 1, c. 8). E
 Agostinho acrescenta: “Quem sabe bem rezar, sabe também viver bem” (In
Psalmos 118).
E a oração justamente alcança a sua eficácia máxima em impetrar o auxílio do
Céu, quando é elevada publicamente, com perseverança e concórdia, por
muitos fiéis que formem um só coro de suplicantes. Isto resulta evidente dos
Atos dos Apóstolos, onde se diz que os discípulos de Cristo, à espera do
Espírito Santo prometido, “perseveravam unânimes na oração” (At. 1,14).
Os que oram deste modo certissimamente obterão sempre o fruto da sua
oração. E isto justamente se verifica entre os confrades do santo Rosário. Com
efeito, assim como a oração do Ofício divino feita pelos sacerdotes é uma
oração pública e contínua, e por isto eficacíssima; assim também, em certo
sentido, é pública, contínua e comum a oração dos confrades do Rosário:
definido este, em razão disto, por alguns Pontífices Romanos, “O Breviário da
Virgem”.
Depois, conforme já dissemos, como as orações públicas têm uma
excelência e uma eficácia maiores do que as privadas, por isto a Confraria do
Rosário também foi chamada pelos escritores eclesiásticos “milícia orante,
alistada pelo Patriarca Domingos, sob as insígnias da divina Mãe”; isto é,
daquela que a Sagrada Escritura e os fastos da Igreja saúdam como vencedora
do demônio e de todas as heresias. E isto porque o Rosário mariano liga com
um vínculo comum todos aqueles que podem associar-se a ela, fazendo-os,
como que irmãos e co-milicianos.
E assim eles formam uma fortíssima falange, inteiramente armada e pronta a
repelir os assaltos dos inimigos, quer internos, quer externos. Por isto, os
membros desta pia associação podem com razão aplicar a si mesmos aquelas
palavras de S. Cipriano: “Nós temos uma oração pública e comum, e, quando
oramos, não oramos por um simples indivíduo, mas pelo povo todo, porque,
quantos somos, formamos uma coisa só” (S. Cipriano, De Oratione Dominica).
Aliás, a história da Igreja atesta a força e a eficácia destas orações,
recordando-nos a derrota das forças turcas na batalha naval de Lepanto, e as
esplêndidas vitórias alcançadas no século passado sobre os mesmos Turcos
em Temesvar, na Hungria, e perto da ilha de Corfu. Do primeiro fato
permanece como monumento perene a festa de Nossa Senhora das Vitórias,
instituída por Gregório XIII, e depois consagrada e estendida à Igreja universal
por Clemente XI, sob o nome de festa do Rosário.

(Papa Leão XIII, AUGUSTISSIMAE VIRGINIS MARIAE Nº 7 ao 9)

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